Acionar o seguro em caso de sinistro fica muito mais simples quando você segue a ordem certa: primeiro garanta a segurança no local, registre o boletim de ocorrência quando necessário, reúna os documentos e comunique a seguradora o quanto antes. Com a documentação completa entregue, a seguradora tem até 30 dias corridos para pagar a indenização, conforme a regra da SUSEP. Guarde este passo a passo.
Primeiros passos no local
Antes de pensar no seguro, cuide das pessoas. Em caso de acidente, a sequência é sempre a mesma:
- Sinalize a via para evitar novos acidentes e, se possível, remova o carro para um local seguro.
- Verifique se alguém se feriu. Havendo vítimas, chame o SAMU pelo 192 e a polícia pelo 190.
- Só depois de garantir a segurança comece a pensar na parte burocrática.
Uma orientação de ouro: nunca assuma culpa nem feche acordo em dinheiro no local sem falar com a seguradora. Uma frase dita no susto pode complicar a análise do sinistro depois, e o que parecia um acordo simples vira dor de cabeça.
O boletim de ocorrência
O boletim de ocorrência é obrigatório em casos de roubo, furto e acidentes com vítimas ou com terceiros envolvidos. Ele é o registro oficial do que aconteceu e serve de base para a seguradora abrir o processo.
Em muitos estados dá para registrar o B.O. pela internet, na delegacia virtual, no mesmo dia. Quando o caso envolve outro veículo, o registro formal do acidente costuma ser exigido, então vale entender também como registrar um acidente de trânsito antes de precisar de verdade.
Documentos necessários
Ter os documentos organizados acelera todo o processo. Em geral, a seguradora pede:
- Boletim de ocorrência ou registro oficial do acidente.
- Documentos pessoais do segurado: RG, CPF e CNH válida.
- Documento do veículo, o CRLV.
- Apólice do seguro de carro.
- Relato detalhado do ocorrido, com data, horário, local e descrição do que houve.
- Fotos, vídeos ou contato de testemunhas que ajudem a comprovar os fatos.
Cada seguradora pode ter exigências próprias, então vale conferir o que consta na sua apólice. Guarde sempre os documentos originais, porque eles podem ser solicitados durante a análise do pedido.
Passo a passo do acionamento
Com a segurança resolvida e os documentos em mãos, o acionamento do seguro auto segue uma linha parecida em quase todas as seguradoras:
- Comunique o sinistro assim que possível, pelo aplicativo, pela central 24 horas ou pelo site da seguradora. Muitas apólices pedem essa comunicação nas primeiras 24 a 72 horas.
- Descreva o ocorrido com detalhes e envie os documentos solicitados.
- A seguradora abre um protocolo e informa os próximos passos, que costumam incluir vistoria do veículo e análise documental.
- Leve o carro para a vistoria ou para a oficina indicada, quando for o caso.
Sendo cliente de uma corretora, você não precisa fazer isso sozinho. A gente abre o sinistro junto com você e acompanha cada etapa, que é exatamente o papel do corretor: estar do seu lado na hora do aperto, e não só na hora da venda.
Franquia, perda parcial e perda total
Na hora do reparo, o tipo de sinistro define o que acontece com o seu bolso. Em perda parcial, quando o carro tem conserto, a seguradora autoriza o reparo e é aí que você paga a franquia.
Em perda total, roubo ou furto sem recuperação, não há cobrança de franquia, e a indenização segue o percentual da Tabela Fipe contratado. O guincho e o carro reserva, quando previstos na apólice, também entram nesse momento para reduzir o transtorno de ficar sem o carro.
Prazo de indenização
Aqui vale separar dois prazos que costumam se confundir. Um é o prazo para você comunicar o sinistro, que deve ser o quanto antes. O outro é o prazo para a seguradora pagar.
Pela regra da SUSEP, o órgão que regula os seguros no Brasil, a seguradora tem até 30 dias corridos para pagar a indenização, contados a partir da entrega da documentação completa. Ou seja, o relógio dos 30 dias só começa a correr quando você entrega tudo o que foi pedido. Por isso, reunir os documentos com capricho desde o início é o que mais acelera o recebimento.
Quando não vale a pena acionar
Nem todo dano compensa acionamento. Antes de abrir o sinistro por um arranhão ou uma batida leve, faça a conta: se o conserto custa pouco mais que a franquia, talvez seja melhor pagar por fora e preservar a classe de bônus para a renovação.
Isso não significa deixar de acionar por medo de o seguro subir. Significa decidir com informação na mão. Para danos relevantes, acionar é exatamente para isso que você paga o seguro veicular todos os meses.
Sinistro é sempre um momento ruim, mas com a ordem certa das coisas ele deixa de ser um pesadelo. Segurança primeiro, documentos organizados, comunicação rápida e transparência total: essa é a receita para receber o que é seu sem dor de cabeça.